CASA NOVA

 

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em dia

 

A bola verde do sinal de trânsito

caí nas mãos do malabarista

que brinca com a nossa paralisia

definida pelo seu nariz vermelho

 

PÁRA TUDO!

 

TENHA UM BOM DIA.

(!!)

a oferenda que não foi para o mar

Não era pedido, nem mesmo promessa. Talvez o emprego da palavra errada desviou o destino da branca rosa. Que não foi. Nem na primeira, nem na terceira. Foi parar em mãos alheias. Na areia. Te olho de espreita, ainda desejo. Me faz instrumento de um mar assim que não tem tamanho, nem fim, isto é, só um princípio, que vai e vem... Não me leva. Me lava.

em 24.12.05

(!!)

 

Olhar 'baiano' de Ricardo Prado sobre a casa perdida no tempo, em Salvador 

(!!)

 

PASSA TEMPO

Ponteiros parados marcavam um tempo passado. Os relógios de pêndulo, espalhados naquela casa antiga (velha só em idade), cada um em um horário, traziam lembranças de outros momentos. Traziam impressões que rejuvenesceram o tio e as tias-avós de ‘Beatrizinha’, e de repente aquela era uma Salvador moderna, ao mesmo tempo (sobre)viva na contemporaneidade, isolada como uma ilha, perdida em um Rio Vermelho, na praia de Iemanjá.

Na presença de tantos horários que já se foram, e que todo dia se repetiam voltando sempre numa daquelas horas em que parou, deu pra desnortear os ponteiros, perder os eixos e me deixar levar pelas praias, cidades, ladeiras e ‘buracos’ daquela festiva capital em pleno verão. À procura de uma identidade, do tempo típico do soteropolitano, encontrei um pouco de tudo nas pessoas que traziam dentro de si, no seu dia-a-dia, elementos da cidade além do carnaval. Pessoas em vários tempos simultâneos, transitando entre o turismo e a rotina de cidade grande. Pessoas que, parecia, não davam muita ‘corda’ para seus relógios.
 
Num outro instante vi, em outros lugares, relógios antigos que nem oscilavam entre o baiano ritmo “lento, devagar ou dorival caymmi”, também estavam parados. Pendurados como um troféu, outrora disputado por alguém que correu atrás do tempo e depois deixou ele vencer só. O tempo ficou e a corrida passou a ser em busca daquela história que fez então o tempo parar, estático, registrando aquele instante que nesta imaginação (por que não?) era especial. Era ontem, amanhã, agora.

Embalada pelas voltas do ônibus, olhando a janela à procura desta Salvador “fora de época”, buscando respostas pra toda aquela energia fundida em raças, ritmos e crenças, que nelas um tanto de mim encontrava, fui confirmar tal especialidade de tempos parados. Foi num momento em que uma senhora, mais forte que a sua idade e condição social, me perguntou as horas, indignada, pois o seu ponteiro não girava, mas apontava as mesmas seis horas e cinco minutos do meu relógio. Foi então que o tempo parou e ela se foi, seguiu sua rotina a caminho de casa, alguns pontos antes do Pelourinho, me deixando à deriva, em Salvador.

POIS É...


"... o que restava de meu sonho...". Meu pensamento se foi com esta partida - como são emotivas as despedidas! - e ler agora não tem cabimento. São ágeis e sábias as palavras de Hermann Hesse e muito condizentes com a realidade vivida. Mas agora prefiro esta. Prefiro a frescura das lembranças vividas com esta turma de 15 pessoas que imergiu junta nesta viagem projetada como Circuito Reciclarte, primeiramente realizada na cidade de Pires do Rio (GO).

A experiência se foi, para mim e para a centena de pessoas que partilhou conosco as benfeitorias dos brinquedos e do brincar.

Mas a partida momentânea não interrompe o ciclo, que segue agora com destino a Itumbiara (GO). De Pires do Rio eu segui para Goiânia, e escrevo diretamente da casa de Gleice Meire (também do rumos e do blog Melodrama), de onde parto no fim do dia de volta para casa.

Ora Boa segue outro destino, o já vivido (e aguardado): a cidade de São Salvador. As experiências em Goiás, aqui publico em breve, depois do necessário filtro que retira o excesso de emoção e deixa a mensagem. Do caderno para cá, em instantes. Até já!

Fica Vivo na Cidade – Belo Horizonte – 23 de setembro de 2005 - Entrevista B Negão*


Ludmila Ribeiro – As suas letras retratam a sua realidade?


100%, tudo o que eu canto é o que eu vivo. Diariamente, pequenamente, como quase todo brasileiro. Tô falando de uma parada que é terceiro mundista. Todo mundo que na real é terceiro mundista acaba passando pela mesma situação.


LR – E ver a sua mensagem chegar para o público, o que é que mudou?


Melhorou a minha insônia.


Daniel Barbosa – E isso chegar à mídia, ao alcance do popular?


A gente não chega muito. Cheguei com o Planet. Hoje dia a gente é muito underground. Entrosamos uma parada independente e ficamos fora das rádios, tipo exilado geral. Esse negócio de jabá, só toca quem paga. São 15 a 20 bandas que tem gravadora grande por trás. A gente tá fora desse circuito, fica no exílio e como no Brasil existe um jabá fortaço, abissal, a gente ta indo direto pra fora tocar. E o nosso público tá maior fora do Brasil. Na Europa principalmente.


DB – Ser independente aqui no Brasil é um universo em crescimento?


A parada independente é muito maior que a parada de gravadora. Tem muito mais gente. Só que gravadora é uma parada clássica, 10% tem muito e os outros 90% não tem nada. A gente tá nesse 90%. E daí, com essa loucura toda de jabá, o que acontece é que não só a gente, mas milhões de coisas maneiríssimas estão por aí e se você não pesquisar muito você nem vai saber que existe.


LR – E a idéia é continuar independente ou rola uma expectativa?


A gente recusou convite pro primeiro disco. A gente queria lançar com o Lobão mesmo, lançar independente e puxar a discussão do assunto. Agora a gente vai mandar o disco pra todo mundo, vamos ver a parada. Em março de 2006 vem o segundo disco. A gente faz música, deixa a música vir e responde aos chamados.


DB – Falando de movimento hip hop. Você acha que o movimento hip hop precisa dessa exposição mais massiva mesmo?!


Na real, tem que ir pra mais gente possível. Não tem esse preconceito, o negócio é aceitar a parada do jeito que é. E se tivesse só rádio boa já resolvia o problema. A rádio é muito mais importante que a televisão. Rádio grande, de rede, pega muito mais. O problema básico é que rádio tá uma bosta mesmo.


LR - E você falou que melhorou a sua insônia aí, transmitiu a mensagem pro pessoal e já sentiu o retorno desse efeito?


Claro, claro, direto. Minha missão é a evolução mesmo, tipo jogar mais semente possível pra todo mundo. E é parada de coração. Porque várias vezes eu tive mais desincentivo do que incentivo. Várias vezes. Todos esses caminhos que a gente faz, caminho de pedra, fecha muita porta. Você tá independente já fecha porta, você falar as verdades já fecha mais porta ainda, tô falando de jabá daí já era, falar do sistema globo, já era. Aí já era em várias paradas. E a gente fala a real mesmo, só de coração mesmo, senão não teria sentido seguir na parada.


*Acesse o site: http://bnegao.com.br
(!)

 

SÃO PAULO RIO

Balada paulista. Para quem não mora naquela cidade, as atrações, as (tantas!) opções, e volta e meia, os preços são irresistíveis! Mas naqueles dias de estadia, essa vontade foi contida, pois não havia melhor programa do que aproveitar cada instante ao lado dessa ‘rumaria’, hoje amigos, companheiros de vida e trabalho.

Assim foi até que nos finalmente, já hospedada na casa de Julita (do blog Canto do Olho que você tem que acompanhar) e logo depois da visita à casita do amigo Carlos, partimos os três para o Studio SP, para assistir ao vivo o show do carioca B Negão.

Uma, duas, duas e meia da manhã, e lá veio ele, rapper da melhor qualidade, que conquistou minha admiração pela coerência e consciência de seu discurso e ação.

O show não era com os Seletores de Freqüência. Era outro, Turbo Trio, puro “funk até o caroço”. Uma noite inteira sem sair da pista, sem parar de balançar. Dali para o abraço e cumprimento.

Como aquela não era hora de um ‘papo mais sério’, resgato um tempo passado e publico agora parte da entrevista com B Negão, feita por mim e pelo (grande!) jornalista Daniel Barbosa, em BH, no memorável show do Fica Vivo na Cidade!, que reuniu na Praça da Estação Black Alien, Rappin Hood e ele, B Negão. Saca só o discurso do cara.

 

CONVENCIONAL

Findo o Colóquio de Jornalismo Cultural, hora de voltar para Belo Horizonte para me preparar para outra viagem, desta vez de férias, com destino à cidade de São Salvador, Bahia.

Nesta baldeação ecoou forte o sentido e importância dessa valorização da diversidade cultural, mesmo com o porém da discussão carregar o nome de convenção.

A situação é grave e se trago uma certeza é que de dentro de um carro, em São Paulo ou Salvador, o padrão me convence de que tudo é Belo Horizonte, ora aspirante à cosmopolita, ora provinciana e praiana.

Desse assunto volto já, pois não devo passar indiferente aos ‘finalmente’ na terra da garoa.

 

‘DIVERSIDADE AINDA QUE TARDIA’

A diversidade cultural e a Convenção da UNESCO foi o tema central da última mesa do Colóquio. Felipe Lindoso guiou o bate-papo com o representante brasileiro nas discussões da UNESCO, Marcelo Dantas. A proposta, mundialmente discutida há 2 anos, e com interessantes definições firmadas em 2005, rendeu reflexões e interessantes afirmativas na mesa nomeada “A cultura como segmento da economia”.

A discussão mundial sobre diversidade cultural, iniciada em 2001, surgiu basicamente para tentar quebras as barreiras de homogeneização cultural, uma espécie de lei “anti-trust” na cultura. Nesta proposta as atenções se voltam para a valorização, preservação e estímulo às culturas locais, identidade cultural das nações e principalmente uma prevenção à dominação imperialista via indústria cultural, representada principalmente pelo ‘american way life’ que chega de mansinho via filmes hollywoodianos, coca-cola e por aí vai.

E é nessa direção que se percebe o porque do voto negativo dos EUA, que perdem muito com esta convenção. Perdem muito dinheiro, é importante frisar. Marcelo Dantas que acompanhou de perto essa rejeição comentou: “Os EUA querem garantir o mercado livre para seus produtos culturais e evitar discussões mais reflexivas como, por exemplo, das Indústrias Criativas”. E complementa: “O mercado concentra, exclui a diversidade e bloqueia a entrada do que é diferente”.

Disputa acirrada, e parte do mérito brasileiro no envolvimento em prol da convenção deve-se à este Marcelo Dantas, responsável pela tradução do documento oficial para o português. Por enquanto você pode acessar a versão em espanhol, na página da Unesco (www.unesco.org.br). Uma vez no site siga a seqüência de links: cultura/diversidade cultural/Convenção da Diversidade Cultural/texto/link.

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.ESTADIA DE CONTRAPONTOS..

Chegando à sede do Portal Terra (um daqueles arranha-céus do conglomerado de sigla WTC, na zona sul, bairro Brooklin), fixei meus olhos na favela do Canão, a morada do rapper Sabotage, mais uma vítima do sistema.

Sabe aquele nossa velha e conhecida desigualdade social? É o que se avista muito de perto, dezenas de andares acima, na envidraçada e “ar-condicionada” redação do portal Terra. Lá dentro o esquema é outro. Muitos, centenas de jovens redatores de todo o Brasil, trabalham freneticamente atualizando o site, gravando entrevista com a ex-prefeita paulista Marta Suplicy para a TV do Terra, apurando notícias, enfim, nunca vi uma coisa igual. Aliás, vi sim, na televisão. O padrão do prédio, da notícia, da rotina é o mesmo.

E isso me lembra uma outra coisa...

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ENTRE SAFRA

O elo existente entre a tradição jornalística e sua adaptação às novas mídias - que dispõe de grandes recursos, mas mantém uma linguagem, um estilo e uma abordagem há muito conhecida; foi resumida na fala do jornalista Pedro Dória, que dividiu a mesa de Jornalismo Digital, com o editor do portal Terra Antônio Prada, mediada pelo jornalista Guilherme Kujawski: “A estrutura de jornalismo na internet no Brasil é engessada, por ser produzida por grupos e corporações já estabelecidos e com interesses bem definidos”.

E tal afirmativa mais adiante se confirmou na visita às paradoxais redações da rádio CBN, onde assistimos a transmissão ao vivo do Jornal da CBN, com notícias ‘quentíssimas’, e a visita à contemporânea e acelerada redação do portal Terra, com suas mais de 250 atualizações diárias e seus milhares de profissionais em revezamento 24 horas por dia.

Em comum, a mesma linguagem tradicional (com seus lead, subleads, sua estrutura de pirâmide invertida,etc) e a busca constante pelo factual, pelo tempo real. Privilégio antes das rádios,depois das TVs e hoje em dia, e sem concorrência, mérito dos grandes portais da internet. O que muda afinal? Confesso que na prática não encontrei a resposta à essa questão. No fundo no fundo, fica visível que o que importa ainda é o tempo, o fato noticiado antes mesmo da sua plena realização.

Pra você que acredita no que vê, no que lê, contente-se com a certeza afirmada e confirmada pelos jornalistas desta mesma mesa: “Uma coisa é qualidade, outra coisa é rapidez. São coisas incompatíveis”, registrou Pedro Dória.

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Nesta nova visita à cosmopolita e acelerada São Paulo, em meio às contradições que toda grande cidade brasileira tem, nos reencontramos e tivemos mais uma grande oportunidade, proporcionada pelo Itaú Cultural a nós estudantes do Brasil envolvidos no Rumos, de visitar espaços culturais e redações de grandes veículos, além de conhecer e dialogar com alguns dos principais profissionais que fazem jornalismo, cultural ou não, atualmente no Brasil.

Falo de Xico Sá, que nos deu um banho de inspiração numa conversa exclusiva; de Heródoto Barbeiro, que nos recebeu na sede da rádio CBN; e dos jornalistas Antônio Prada (Portal Terra), Pedro Dória (www.nominimo.com.br), Paulo Roberto Pires, Luis Carlos Merten (Estado de S. Paulo) e Rosângela Petta, que compuseram as mesas do Colóquio juntamente com o teórico Teixeira Coelho (USP), a artista Gisele Beiguelman, o poeta visual André Vallias (www.andrevallias.com) e o representante brasileiro nas discussões da Convenção da Diversidade Cultural da UNESCO, Marcelo Dantas (chefe da divisão de relações internacionais do Itamaraty).

Muita informação rolou nestes dias, mas como o meu foco aqui ainda passa pelo tempo, e pela cultura inerente a ele, me restrinjo a alguns momentos, justamente aqueles que se fixaram com mais pressão e entraram na bagagem das viagens que surgiram desde então.

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CONTRATEMPO

Durante muito tempo (talvez ainda) minha luta no jornalismo se voltou contra o tempo, que neste ofício ganha nome de deadline. Inegável a sua importância no dia-a-dia do jornalista. Por outro lado, é essa inevitável pressa que a meu ver muitas vezes comprometeu a qualidade da apuração e da escrita. Enfim, com seus prós e contras ainda busco uma forma de conciliar qualidade com agilidade.

Por hora ainda me perco, haja visto o lento tempo de atualização deste blog, que segue sendo constantemente pensado e formatado. E da inicial intenção de abordar especificamente assuntos de música, agora o blog Ora Boa assume a sua vocação para tratar principalmente, e também, de arte e cidadania. E segue em frente.

Porém, sendo o Ora Boa virtual um resultado, reflexo, e por que não, espaço de reflexão sobre o aprendizado vivenciado em 2005 nas atividades do Rumos Jornalismo Cultural – Itaú Cultural (www.itaucultural.org.br/rumos), me arrisco a desafiar o tempo e retomar aqui alguns fatos acontecidos há um mês, quando rolou o Colóquio Jornalismo Cultural, promovido pelo Itaú no encerramento do Rumos, de 13 a 15 de dezembro, na sede da instituição em São Paulo. Isso faço por acreditar que a informação é agora mais relevante que o dito imprescindível factual.

LOGO CEDO PÉ NA ESTRADA

 

Uma volta e o eterno retorno. A estrada me espera de novo, desta vez com destino à cidade de Pires do Rio, no Sul de Goiás. O exercício da minha profissão envolve também o trabalho de assessora de comunicação no Instituto Artivisão, que realiza o projeto Circuito Reciclarte, o qual estou indo acompanhar lá pras bandas do Planalto Central.

Se ainda não publico aqui as reflexões geradas desde dezembro, quando rolou o Colóquio Jornalismo Cultural no Itaú Cultural em São Paulo, é por pura falta de encontro com o tempo... À estas ideías já tenho agregado novas reflexões resultantes das visitas a uma outra capital, a volta à terra natal e a essa nova partida.

Nesse prazo que me resta (à espera da saída do ônibus) deixo a dica do site do IAV www.institutoartivisao.org.br e de ONG pra ONG recomendo também o do Favela é isso aí (www.favelaeissoai.com.br) que tá novinho em folha, a um clique seu.

Pra você que taí, canto 'um pouco mais de paciência', vou e volto publicando as infos ainda zipadas e manuscritas no caderno, quase que do diário de bordo. Promessa pra ser cumprida em breve. Volto já!

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